4 de abr de 2013

Amando a Poesia: Carlos Drummond de Andrade



Olá! A proposta de hoje é mergulharmos um pouquinho na poesia de uma referência mundial no assunto: Carlos Drummond de Andrade. Eu sei que parece clichê falar isso dele, mas não é nenhuma inverdade: o legado que ele nos é simplesmente fantástico. Por isso, é ele quem abre o Amando a Poesia.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi poeta, cronista, contista e tradutor. Nascido em Minas Gerais, fez parte da Segunda Geração Modernista no Brasil. Sua obra tem várias faces diversas, não teve apenas um rumo. Isso é bem visível no poema que apreciaremos hoje, começando pelo título: Poema de Sete Faces. O poeta, além de uma infinidade de trabalhos publicados, teve uma série de trabalhos artísticos em sua homenagem, como o filme Poeta de Sete Faces.
Deixando de conversa, vamos mergulhar no suave universo de Drummond:
Poema de Sete Faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade
O que acharam? Esse é meu favorito dele! 
Inspirem-se, sempre!


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